08/09/2026

O CHÁ ESTÁ SE COANDO - Fachin procura ministros e mostra disposição para punir Alexandre de Moraes O CHÁ ESTÁ SE COANDO - Fachin procura ministros e mostra disposição para punir Alexandre de Moraes




O presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Edson Fachin, chamou ministros da Côrte para conversas nesta semana sobre a crise no tribunal. Os encontros devem ocorrer nos próximos dias, sem que esteja definido se Fachin reunirá o grupo ou falará individualmente com os colegas.

Quem conversou com Fachin relata que ele gostaria de tomar uma decisão sobre a situação de Alexandre de Moraes, mas vem sendo alertado de que nenhuma medida avançará sem o consenso dos integrantes do tribunal.

Se houver, por exemplo, uma proposta para que Moraes se afaste até que o caso seja analisado, o grupo mais próximo ao ministro deverá cobrar reciprocidade em relação a André Mendonça. Moraes acusa o relator do caso Master de agir com parcialidade e de direcionar as investigações para atingi-lo, avançando o inquérito de forma ilegal.

A maior preocupação entre ministros do Supremo hoje é a possibilidade de Fachin convocar uma reunião do plenário para tratar da crise. “Se fizer isso, a reunião começa, mas não termina”, resume um ministro, numa referência ao grau de tensão entre André Mendonça e Alexandre de Moraes, que se enfrentariam diante das câmeras.

Há ainda um componente que torna o encontro mais delicado: Moraes e Mendonça sentam lado a lado no plenário, seguindo a ordem de antiguidade no tribunal. Os dois já tiveram um confronto que, por pouco, não chegou às vias de fato. Uma saída seria levar o assunto ao plenário virtual, onde os ministros apresentam seus votos eletronicamente, sem a necessidade de se reunirem presencialmente.

As manifestações de 7 de Setembro eram vistas como um ponto de tensão entre ministros do Supremo caso conseguissem reunir uma massa expressiva de pessoas sem coloração partidária.

Não foi o que ocorreu. A direita se apropriou do discurso contra a Côrte, o que reduz o impacto da pressão sobre os ministros. A avaliação é que o efeito seria diferente se a insatisfação com o Supremo tivesse se mostrado uma agenda mais ampla do eleitorado, e não identificada com um campo político.

Redação com metrópoles  /  Imagem: Reprodução divulgação STF