14/05/2026
O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) admitiu, no final da tarde desta quarta-feira (13), ter cobrado dinheiro do sócio-fundador do Banco Master, Daniel Vorcaro, para pagamento de despesas do filme biográfico de Jair Bolsonaro (PL) com estreia programada para 11 de setembro. Reportagem do site "The Intercept Brasil" revelou que Flávio pediu 24 milhões de dólares, o que significa pelo câmbio atual cerca de 134 milhões de reais, a Daniel Vorcaro. A relação entre eles é revelada em áudio do pré-candidato à Presidência para o banqueiro enviado em setembro, e em mensagens trocadas em novembro — até na véspera da prisão de Vorcaro pela Polícia Federal. Flávio não desmentiu a reportagem, mas, se defendeu. "O que aconteceu foi um filho procurando patrocínio PRIVADO para um filme PRIVADO sobre a história do próprio pai. Zero de dinheiro público. Zero de lei Rouanet", declarou em nota. "Conheci Daniel Vorcaro em dezembro de 2024, quando o governo Bolsonaro já havia acabado, e quando não existiam acusações nem suspeitas públicas sobre o banqueiro", acrescentou. O áudio de Flávio a Vorcaro data de 8 de setembro de 2025, quatro dias após o Banco Central (BC) rejeitar a aquisição do Master pelo Banco de Brasília (BRB), em análise desde março. A rejeição considerou os problemas de liquidez do banco de Vorcaro e as suspeitas sobre os ativos da instituição, considerados de má qualidade ou de difícil recuperação. Ainda na nota em que se justifica, Flávio afirma que mandou o áudio para Vorcaro com a intenção de cobrá-lo sobre os valores prometidos para o filme. "O contato é retomado quando há atraso no pagamento das parcelas de patrocínio necessárias para a conclusão do filme. Não ofereci vantagens em troca. Não ofereci vantagens em troca. Não promovi encontros privados fora da agenda. Não intermediei negócios com o governo. Não recebi dinheiro ou qualquer vantagem", declarou. O pré-candidato, entretanto, não se posicionou sobre as mensagens trocadas por WhatsApp com Vorcaro na véspera da prisão do banqueiro. Conforme noticiou o Intercept, os dois se falaram em 15 e 16 de novembro do ano passado. Na conversa, Flávio prometeu que estaria "sempre" com o empresário. No dia 17, a PF prendeu Vorcaro enquanto ele tentava fugir do país em avião particular para evitar a investigação sobre a fraude bilionária do banco contra o Fundo Garantidor de Crédito (FGC) — naquele que é tratado como o maior escândalo financeiro do Brasil. Depois, no dia 18, o Banco Central decretou a liquidação extrajudicial do Master, fechando as portas da instituição. A troca de mensagens, segundo o Intercept, começa às 15h46 do dia 15, quando Vorcaro escreve para Flávio: "Fala, irmão. Tava trânsito voo o tem (sic)". O senador responde um minuto depois: "Fala, mermão. Pode atender?". A conversa continua apenas no dia 16 às 10h37 com mensagem de Vorcaro para Flávio. Ele se justifica: "Fala, irmãozão. Tô na igreja. Terminando te chamo". Cinco horas depois, às 15h38 e às 15h43, Flávio responde enviando duas mensagens de visualização única. A estratégia é semelhante à que teria sido usada pelo ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes para manter sigilosas as mensagens que mandou para Vorcaro no WhatsApp. Depois, às 15h46, Flávio completa: "irmão, estou e estarei contigo sempre, não tem meia conversa entre a gente. Só preciso que me dê uma luz! Abs!". Vorcaro responde seis minutos depois com uma imagem de visualização única. Flávio encerra a conversa com "amém". CPI Na nota à imprensa, Flávio cobrou a instalação da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) do Banco Master. "Mais do que nunca é fundamental a instalação da CPI do Banco Master. É preciso separar os inocentes dos bandidos", disse. "Reitero, CPI do Master já!", completou. O escândalo de Daniel Vorcaro é alvo de interesse eleitoral do PL, que, no último sábado (9/5), agiu para tentar colar a fraude ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Em ato de campanha em Santa Catarina, Flávio subiu ao palco com uma camiseta que estampava: "Pix é do Bolsonaro. Master é do Lula". Redação com o tempo / Imagem: Reprodução Agência Senado |






